Nome: Francisco De Freitas
Idade: 44 anos em Abril de 1974
“No dia 24 de Abril de 1974 cheguei a casa vindo do trabalho que prestava na feira de Pevidém e tomei a minha refeição da noite. Deitei-me, passei a noite e no dia 25 de Abril de 1974 levantei-me como de costume, tomei o pequeno-almoço e segui para o trabalho. Quando cheguei ao local de trabalho já estava com outro regime, porém não havia notícias naquela zona. Como era um meio fabril, o povo passava para os trabalhos das fábricas e dizia:
- O que é que se passa?
- Não sei - respondia - estou como vocês. De momento vou ter à beira da escola primária.
Vi uma senhora professora a chorar e eu perguntei-lhe:
- Porque chora? Dói-lhe alguma coisa?
E ela respondeu-me:
-Então você não tem conhecimento foi uma revolução que houve esta noite, o governo já está preso, mas não há noticias da rádio está tudo bloqueado.
Fui ter ao edifício dos correios, ainda estava fechado e eu toquei à campainha da porta e saiu-me a funcionária a afirmar que ouviu uma notícia da rádio a dizer à policia para não se meter na desordem senão haveria um derramamento de sangue.
Por volta do meio-dia já era tudo sabido e por volta das 16 horas da tarde houve uma comunicação pela rádio e televisão do senhor General Spínola que o governo estava derrubado e foi instituída uma junta de salvação Nacional e que ele assumia a Presidência provisória dessa mesma junta. Houve altifalantes pelas estradas a anunciar a festa do derrubamento da Ditadura.
Houve a alegria do povo na cidade de Guimarães foi uma grande festa, no mesmo ano foi logo festejado o 1º de Maio, feriado Nacional. Cantou-se no palco do jardim público de Guimarães a Grândola Vila Morena e cantou-se a canção da Gaivota.”
Maria Catarina 7D
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